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quinta-feira, 28 de maio de 2026

O futuro do desenvolvimento de software está parecido com o passado?

Recentemente fiquei sabendo que a Petronect — empresa formada pela sociedade entre Petrobras, SAP e Accenture, com foco em gerenciar a relação entre fornecedores e a própria Petrobras — substituiu duas plataformas bastante conhecidas do mercado (ServiceNow e Jira) por uma ferramenta de ITSM desenvolvida in house

Petronect

O movimento vai um pouco na contramão do que vimos nas últimas duas décadas e, provavelmente, ganhou força com o crescimento do vibe coding — abordagem de desenvolvimento em que os requisitos são descritos em linguagem natural e a IA generativa fica responsável por criar praticamente toda a solução, sem a necessidade de escrever código em uma linguagem formal de programação.

A ideia de utilizar IA generativa para construir software vem sendo explorada de forma intensa desde a popularização do ChatGPT, há alguns anos. E, honestamente, parece que isso está apenas começando.

No início da minha carreira em tecnologia — ainda na época em que eu era estagiário e fazia curso técnico (se quiser saber mais sobre essa fase, tem esse post aqui e aqui) — eu ouvia bastante as pessoas comentarem sobre sistemas desenvolvidos “dentro de casa”. Lembro que na escola/universidade onde eu estudava diziam que todo o sistema acadêmico era mantido internamente. Em uma concorrente da empresa onde tive meu primeiro emprego — uma concessionária de veículos — também falavam sobre uma equipe própria de programadores responsável pelos sistemas de gestão utilizados pela empresa.

Ao mesmo tempo, eu já sabia que existiam soluções prontas no mercado capazes de resolver muitos desses problemas de negócio. E, apesar de entender que há exceções e inúmeros cases de sucesso, sempre tive a percepção de que costuma ser mais barato — e até mais seguro — adquirir ou licenciar uma plataforma consolidada do que manter um time inteiro sustentando um homegrown software, principalmente quando tecnologia não é o core business da empresa.

No passado, manter uma equipe dedicada para desenvolver e sustentar uma solução própria certamente podia custar muito mais caro do que contratar uma ferramenta pronta e realizar pequenos ajustes. Só que a IA generativa e o vibe coding começaram a mudar um pouco essa lógica.

Hoje, parece cada vez menos necessário dominar profundamente uma linguagem de programação para criar aplicações relativamente sofisticadas. Qualquer pessoa com boas ideias, conhecimento do problema e habilidade para escrever bons prompts consegue construir coisas muito mais robustas do que projetos desenvolvidos por estudantes em início de graduação. Basta passar alguns minutos no LinkedIn para perceber isso.

Imagem aleatória sobre desenvolvimento de software que peguei no Unsplash

Ainda assim, o caso da Petronect chama atenção justamente por parecer contrariar aquela ideia de “menos custo e mais conformidade” normalmente associada às plataformas de mercado. Afinal, tudo indica que eles cansaram de sustentar customizações em ferramentas prontas — algo extremamente comum, já que cada empresa possui processos muito particulares — e decidiram assumir o risco de construir algo próprio. Meio como antigamente.

E talvez aí esteja a parte mais interessante dessa discussão.

Durante muito tempo, parecia existir um consenso de que o futuro seria cada vez mais orientado a SaaS, plataformas low-code/no-code e soluções altamente padronizadas. Mas a IA generativa talvez esteja reduzindo drasticamente a barreira de entrada para criação de software personalizado.

Claro que isso também levanta várias dúvidas. Uma solução criada internamente pode ter desafios importantes relacionados à resiliência, escalabilidade, conformidade, segurança ou integridade dos dados. Não é por acaso que algumas pessoas já começaram a falar em uma possível “SaaS-pocalypse” — termo utilizado para descrever uma eventual disrupção no mercado de tecnologia capaz de desafiar o modelo SaaS (Software as a Service).

Mas talvez isso seja assunto para outra postagem.

domingo, 5 de dezembro de 2021

5 tendências tecnológicas para 2022

Você já parou pra pensar sobre quais serão as tendências tecnológicas que estarão em alta em 2022? Não? Então vamos de radar da Martha Gabriel — consultora, pesquisadora e futurista —, pois há algumas semanas ela explorou essas trends baseadas em um artigo compartilhado pela Forbes.

5 tendencias tecnologicas 2022 radar martha gabriel
5 tendências tecnlógias para 2022 — #radarMarthaGabriel

  • Inteligência artificial em todo lugar (Artificial Intelligence everywhere)
  • Everything as a service (XaaS) e a revolução "sem código" (Everything-as-a-service and the no-code revolution)
  • Digitalização, dataficação e virtualização (Digitization, datafication and virtualization)
  • Transparência, governança e responsabilidade (Transparency, governance and accountability)
  • Soluções de energia sustentável (Sustainable energy solutions)

Meus 50 centavos de contribuição

Quando se fala de AI (Artificial Intelligence), eu meio que automaticamente penso em chatbots e RPA. Mas a verdade é que isso é só uma pontinha de um turbilhão de capacidades e aplicações. O artigo da Forbes, por exemplo, fala do reconhecimento facial em smart cars para alertar o condutor caso ele desvie a atenção da via ou esteja sentindo-se cansado. Além disso, é comentado também sobre os smart toilets , que como uma das suas funcionalidades, teria a capacidade de detectar disfunções intestinais por meio de visão computacional — imagino que analisando o resultado de um deploy 💩.

Sobre a EaaS (Everything as a Service), sim, isso é uma baita tendência. Dãaa, claro, eles já estão dizendo que é! 🤦‍♂️. Afinal, é passado a fase quando era necessário adquirir uma "caixa fechada", que consome energia, recursos e em pouco tempo ficará obsoleta, para consumir apenas a experiência, vulgo, o serviço que tem dentro. É bem mais fácil quando podemos comprar apenas o serviço, com a flexibilidade de utilizarmos quando e como quisermos, sem demais preocupações, não é? Bom, e não diretamente conectado a isso, mas na mesma vibe da facilidade, temos as plataformas que apostam no low-code/no-code. Como um exemplo, podemos citar a ServiceNow, que aposta, por meio do seu programa Citizen Developers, em tradução, cidadãos desenvolvedores, que incentiva pessoas de negócio — sem conhecimento em algoritmo ou linguagens de programação — na construção dos seus aplicativos sem a necessidade de mexer com código.

Digitalização, dataficação e virtualização, além de no meu ponto de vista também estar relacionado a Transformação Digital — meu assunto favorito segundo a @bibspotter 🤣 —, o analista da Forbes, no seu texto, comenta sobre o tal do Metaverso, o qual tanto tem se falado principalmente por conta dos movimentos do Facebook. E pra provar que isso é tão tendência, já tem gente até comprando/vendendo terrenos e iates milionários que só existem no mundo virtual.

Transparência, governança e responsabilidade, pelo ponto de vista do artigo da Forbes, está muito conectado com controle e regulamentações aplicáveis às tecnologias de AI, por exemplo. E relacionado a isso, podemos considerar um recente apontamento que foi levantado por um jornalista da Reuters, afirmando que a Alexa escuta as conversas dos usuários até mesmo quando ela não é chamada 😧.

E por fim, ao falar de soluções de energia sustentáveis, o que me vem na cabeça é ESG (Environmental, Social and Governance), uma sigla que tem se falado bastante para indicar as responsabilidades ambientais e sociais, capitaneadas por ações de governança corporativa das empresas. Como um exemplo recente, podemos citar as ações que a AmBev está assumindo com as usinas de energia solar e caminhões elétricos.

Então essas tendências são mesmo tendências?

Claro que são! Eu tento me manter relativamente atualizado sobre esses temas, pois além de gostar, sei que como um profissional de TI, preciso estar antenado no que contorna tecnologia e negócios. Sendo assim, concordo plenamente de que nada do que foi falado — essas 5 tendências apontadas pela Forbes e avaliadas pela Martha Gabriel — são estado da arte. Tratam-se de tópicos que já estão em pauta há alguns anos e penso que não serão tendência apenas em 2022, mas sim, passarão a ter uma relevância cada vez maior a partir do próximo ano, assim como, nessa década.