sábado, 17 de fevereiro de 2024

As 4 Revoluções Industriais

Há algum tempo, eu tinha pensado em escrever um artigo por aqui falando sobre a 4ª Revolução Industrial – ou Revolução Industrial 4.0, também chamada de Indústria 4.0 –, que trata-se do momento atual da indústria, com a chegada de diferentes tecnologias, como inteligência artificial, computação em nuvem, internet das coisas e aumento na maturidade nos controles e automações de processos. Até já havia separado algumas referências para isso, mas no fim, acabou passando a motivação e não produzi. Talvez um dia ainda escreva, pois é um assunto do meu interesse.

Entretanto, dias atrás eu resolvi pesquisar sobre Revolução Industrial e cheguei em um texto bastante simples, mas bem objetivo. A partir disso, pensei que seria bacana fazer um desenho dessa evolução, trazendo os principais períodos e pontos chave do tema.

As 4 Revoluções Industriais

Eu não consigo pensar em Revolução Industrial sem associar mentalmente a imagem de pessoas quebrando máquinas 😅. É engraçado e triste ao mesmo tempo. Mudanças podem causar aversão e revolta, mas fazem parte da evolução natural da tecnologia. Contudo, o que me deixa intrigado é imaginar qual será a 5ª Revolução do próximo século 🧐?

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Quando conectar o computador na internet era uma opção

Não que hoje deixe de ser – continua sendo uma opção utilizar um computador desconectado da internet –, mas o que a gente consegue (ou quer fazer) sem internet?


O ano era 2002 quando ganhei meu primeiro computador. Era de segunda mão. Um vizinho estava trocando o dele e vendeu o antigo para meus pais. Logo que compramos, meu pai perguntou se eu queria instalar internet e eu lembro que no auge dos meus 11 anos de idade, eu disse: "Não. Deixa eu aprender a utilizar o computador primeiro para depois ir para a internet.". Mas se não tinha internet, o que eu fazia com o computador?

  • Utilizando o Word, escrevi umas 12 páginas do que supostamente seria um livro de RPG, além de diversos outros pequenos textos aleatórios. Também digitava os trabalhos de escola, fazendo as pesquisas em livros.
  • No Paint, passava horas desenhando.
  • Utilizando o gravador do Windows, fazia narrações e depois ouvia usando o Winamp.
  • Jogava Campo Minado, Paciência, Pinball, dentre outros jogos terceiros, como Daytona Deluxe e POD: Planet of Death.
  • Ficava trocando os temas do Windows, o protetor de tela e o plano de fundo.

Computador com Windows 98 | Reddit

Bons tempos!


No ano seguinte, instalamos uma linha discada. Eu mal sabia abrir o Internet Explorer do Windows 98 e digitar um endereço na barra de pesquisas para acessar um site. Aos poucos fui aprendendo com pessoas e amigos que sabiam obviamente mais do que eu. Claro que mesmo com a internet instalada, nesta época, era um recurso apenas para o fim de semana, pois tratava-se de algo caro e que dependia da linha de telefone estar desocupada para utilizar. Portanto, ainda era mais comum utilizar o computador desconectado do que com internet.

Alguns anos mais tarde, quando eu já tinha meu segundo computador, meu pai aceitou instalar internet banda larga. Isso era lá em 2007. Quando fui à loja comprar um modem, o vendedor me ofereceu um modelo básico e que tinha um botão atrás para desligá-lo. Lembro que ele ainda comentou: "Caso você quiser só utilizar o computador sem internet, pode usar este botão.".

Meu primeiro modem ADSL | Redetronic

Em 2007, internet já era muito mais comum do que há 5 anos antes, com meu primeiro PC. Porém, veja que mesmo neste período, alguém ainda poderia pensar em não a utilizar.

Contudo, o que é possível fazer hoje em dia sem estar conectado na internet? 

Talvez o mesmo que fazíamos há 20 anos. Escrever, ler (desde que sejam textos salvos localmente), desenhar, jogar (contanto que sejam jogos offline), assistir vídeos ou ouvir músicas (desde que sejam mídias baixadas). Mas convenhamos: será que alguém – em pleno 2024 – liga o computador na expectativa de utilizá-lo sem conectar-se à internet? Tudo o que queremos fazer já é com a intenção de navegar. Parece que se perde totalmente o sentido estar com o notebook na mesa sem conexão com a internet. Trabalhamos com e para a internet. É como se não houvesse opção, mesmo sabendo que há.

sábado, 3 de fevereiro de 2024

O metaverso é o streaming na internet discada

Você já parou para pensar como seria assistir um filme ou uma série – por streaming – há cerca de 30 anos atrás? Certo, nesta época não existia Netflix, Amazon Prime, Disney Plus, Apple TV e etc, como conhecemos hoje, portanto, seria impossível experimentar. Mas vamos imaginar que algum maluco visionário resolvesse criar um produto destes e oferecesse a assinatura. Funcionaria? Óbvio que não! Há 3 décadas atrás a internet discada predominava. Os computadores se conectavam na rede mundial de computadores – termo utilizado pelos William Bonner para referenciar a internet no Jornal Nacional – utilizando placas de fax modem – que com sorte poderiam atingir 56 Kbps de velocidade. É impossível de comparar isso com as altas velocidades oferecidas nos dias de hoje. Era muito lento! Portanto, mesmo que alguém tivesse inventado o streaming, naquela época não iria funcionar!

Fax Modem | Trendnet

Hoje é mais ou menos assim com o metaverso. O termo metaverso se tornou buzzword principalmente depois do Mark Zuckerberg resolver mudar o nome das suas empresas para Meta em 2021, na intenção de de ser protagonista na condução deste tema nas relações humanas e corporativas. Porém, metaverso é algo que já existe há bastante tempo. Alguém aí lembra do Second Life? Se falava bastante dessa mistura de game com realidade virtual em meados de 2006/2007. Eu mesmo tinha uma conta e joguei algumas vezes. Muitas empresas falavam em ter seu espaço por lá e algumas até almejavam realizar processos seletivos e entrevistas com candidatos por meio deste local. Deu certo? Não. Por mais que nesta época já existia conexão de banda larga – muito mais rápida que a internet discada – e computadores com algum poder de processamento, a experiência era ruim.

Second Life | Tech Tudo

Depois do movimento do senhor Zuckerberg há quase 3 anos, meio que as empresas e o mercado começaram a olhar novamente para o metaverso. Com isso, até hoje, muita gente fica querendo empurrar esse negócio goela abaixo. Contudo, acredito que ainda não estamos prontos para esta experiência. Não tem tecnologia e as pessoas não querem e nem percebem sentido nisso. Quem usa – ou tenta usar – é porque quer surfar em uma onda que na verdade nem existe. Afinal, o que são aqueles óculos que você precisa colocar a cara dentro e ficar pendurado por um fio. Me admira a Apple lançar uma coisa dessas. Há também exemplos onde se cria um cenário estilo jogo PS1 e você cria um personagem tosco para ficar entrando e saindo de salas. E tem gente que chama isso de metaverso.

Apple VR | Apple

Existem algumas aplicações na indústria que parecem estar funcionando, mas eu não sei se realmente trata-se de metaverso. Parece apenas computação gráfica aplicada na prática. O que faz todo o sentido. No entanto, quando voltamos as atenções para interações humanas, nunca vi um case realmente de sucesso envolvendo metaverso. Não há aplicação prática que compense substituir uma operação tão simples quanto realizar um videoconferência pelo Google Meet, Microsoft Teams ou Zoom. Os meios adotados não justificam o que as pessoas querem – ou pensam estarem fazendo – hoje com o metaverso.

Apesar do meu ceticismo – e eu não estou sozinho – nesse momento, certamente não posso afirmar que o metaverso será sempre assim. Ninguém sabe. Talvez no futuro apareça – ou quem sabe até já exista – uma tecnologia ou aplicação que pode revolucionar o uso do metaverso. Mas no momento, pelo que percebemos, não acho que isto está sendo explorado.